Blog | Rodolfo Berlezi

Autor: Rodolfo Berlezi Page 1 of 2

4 razões por que Berserk mexe com nossos corações

A pouco mais de um ano atrás, Kentaro Miura, criador de Berserk, nos deixou. Foi tão repentino que nem o próprio autor considerou deixar algum material de referência para outros continuarem, e ficamos com um final de múltiplas interpretações ao final do capítulo 364, o qual por si mesmo já foi completado com a ajuda de seus assistentes. A obra como um todo já é repleta de interpretações, mas esse final deu muita margem para novas possibilidades de desenrolar da história. Será que a Mão de Deus vai entrar na ilha dos elfos?


Felizmente, agora ao início do mês de Junho de 2022, tivemos o tão aclamado pronunciamento da Young Animal, junto ao estúdio Gaga de Miura, que com o auxílio do amigo de longa data, Kouji Mori, será possível continuar a história de Berserk até o final original. Claro que teremos as limitações de Mori e dos assistentes, que ele já deixou claro, e também não teremos os toques pessoais do autor original, mas poderemos chegar a uma conclusão da saga de Guts, e ter uma ideia bem nítida para onde Miura tentava nos levar ao longo dessas três décadas de Berserk.


Isso tudo junto de uma releitura me trouxe a refletir mais sobre a obra, pois ando estudando técnicas de narrativas a mais de ano e busquei trazer para a consciência o que mexe conosco em cada página de Berserk. Sem muitas explicações complicadas, vou focar no que é o clássico de uma história e como chegamos a conclusão de ser um épico a jornada desse (Anti) Herói, que é Guts e seu vilão, Griffiths. Sendo assim, dividi em quatro aspectos para explicar a razão por qual Berserk mexe tanto com os nossos corações.

São eles:

  • O drama: a busca
  • A tragédia
  • A arte pela arte
  • O épico

O drama: a busca

Em uma obra drama é tudo. Não falo exatamente do gênero narrativo da melancolia, a tristeza, que claramente temos em Berserk, mas em um aspecto do clássico. Segundo Aristóteles, o drama é a imitação de uma ação que tem como consequência um efeito de catarse. Então, o drama é a ação que traz emoções, é o fio que está prestes a arrebentar a qualquer momento em uma história e não conseguimos parar de acompanhar. É literalmente a alma do negócio, se compararmos uma obra com um comércio. Sendo assim, Berserk facilmente nos deixa presos ao seu drama.


Seguimos a jornada de Guts em sua busca por vingança, e vamos descobrindo que não é simplesmente vingança, mas uma busca que tange o espiritual, o elevado, sobre uma pessoa amaldiçoada por assim dizer, que busca seu lugar no mundo, seu conforto, seu amor, e assim tratando das peripécias do destino na vida de um homem, o drama é claramente esse. Guts é constantemente jogado em dificuldades, em situações desesperadoras, de vida ou morte, que precisa escolher sobre quem proteger e quem deixar ir, e isso gera uma linha invisível na história que não conseguimos parar de acompanhar: isso é o drama.


Vale o mesmo para o sonho de Griffiths, o qual transforma todos os fins como meios para seus objetivos frios e pisa no cadáver de quantos precisar, mesmo algumas vezes quase nos fazendo acreditar em uma mudança de caráter do personagem, no fim, ele engana até nós pois tudo que ele faz é para alcançar seu pontinho no céu (ou inferno).

A tragédia

Toda grande história é também uma grande tragédia. A perdição, o fundo do poço, o encontro com a morte onde heróis se revelam ou esperanças morrem. Em Berserk é muito fácil de se notar essa curva da história: no ato do Eclipse.


Segundo a Wikipédia: Tragédia é uma forma de drama que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, pondo frequentemente em causa os deuses, o destino ou a sociedade. Todos temas tocados durante a obra.


O Eclipse traz para o visual tudo de ruim que os egos das pessoas podem materializar. A luxúria de Slut, a gula e preguiça de Conrad, a enganação e mentiras de Ubik, a ira de Void e a inveja de Griffiths por Guts. Essa inveja podemos analisar como o fato de Guts ser senhor de si mesmo, um homem livre e capaz de escolher seu destino, diferente de Griffiths que tem seu destino já escolhido pela Mão de Deus, e no final antes de chamar os anjos, o Griffiths então não aceita estar abaixo de Guts de jeito nenhum, quando se compara a sua forma física com a dele.


A própria temática do sacrifício nos traz também pela etimologia da palavra a ideia de um ritual simbólico e trágico, de antigos hábitos da natureza de algumas culturas humanas, por assim dizer, ao mesmo tempo que ao se sacrificar por outro transmite um ato de nobreza e valentia. O fato desse sacrifício ser totalmente o inverso desse sentimento de nobreza, traz um choque e um amargor para a alma do espectador, somado a toda a pinta de crueldade que a cena traz. Ficamos espantados com o que o ser humano literalmente é capaz em atos de violência e pecados.

A arte pela arte

Ainda quando falamos do clássico e atemporal, o qual Berserk se provou no tempo, passando mais de três décadas e continuando altamente relevante mesmo nos primeiros capítulos. Berserk nos remete a um conceito que parece bastante óbvio, mas infelizmente muitas novas obras contemporâneas acabam não reproduzindo mais ele, e portanto, seu fracasso ou baixa relevância acaba sendo iminente, especialmente em mídias de audiovisual, que andamos vendo na Netflix e Disney principalmente para o público mais nerd: a arte deve acontecer apenas pela arte. A arte pela arte.


Arte pela arte é um sistema de crenças que defende a autonomia da arte, desligando-a de razões funcionais, pedagógicas ou morais e privilegiando apenas a Estética. A origem desse conceito remonta a Aristóteles, mas só consolidado em meados do século XVIII.


Em Berserk, por mais que você tente encaixar inúmeras alegorias possíveis, basta os olhos de quem vê, a obra é completa em si mesma. Não existe uma mensagem direta ao leitor sobre modos de conduta, política ou opiniões pessoais do autor na obra. É puramente a arte pela arte.


Em entrevistas no Guia Oficial de Berserk, o próprio Miura comentou aplicar o efeito Disney, que é um efeito que transporta a mente das pessoas para o mundo mágico com os novos conceitos da história, visivelmente aplicado em Berserk. Pois quando estamos dentro da história, não julgamos os atos da história como se fossem no nosso mundo real.

O épico

O épico ou a épica, é um gênero literário no qual o autor apresenta de forma objetiva fatos lendários ou fictícios acontecidos em um tempo e espaços determinados. Épico é usado também para adjetivar um feito memorável, extraordinário, uma proeza, algo muito forte e intenso.


Quem nunca se imaginou vivendo em um mundo com muito mais encantos e fantasias do que o nosso? Bosque de contos de fadas, espadas, magia, o sobrenatural, criaturas como o Punk e magos como a Schierke, além de cavaleiros, nos remetem a nossa infância, a nossa essência. São coisas que tiram nossa alma de criança para fora do casulo e nos permitem ter experiência muito mais vividas e conscientes por mais que não notemos.


A própria escolha do Falcão como símbolo de Griffiths, um animal nobre, que voa e passa por todos de forma suave. Conquistador e territorialista ao mesmo tempo. A dinâmica de bem e mal entre o protagonista e o vilão, onde quem é o bonzinho se veste de mal e o malvado se veste como um príncipe.


Essa intensidade e contraste toca na nossa essência, nos identificando com todos os aspectos da história, e fazendo mergulhar nossa consciência e tomar como se fosse com nós mesmos as dores e louvores que acontecem na história. Por isso vibramos quando Guts derrota Boskone de uma maneira inesperada, e choramos, amarguramos, junto com ele quando Guts se lembra do seu passado feliz que nunca mais vai voltar junto ao Bando do Falcão.


E o somatório dessa jornada do Guts, é o que cria o sentido extraordinário, que tudo que ele fez não é em vão. Vejam bem, é a jornada e não o final dela que faz da história ser épica.


Claro que eu também estou empolgado com o lançamento de mais capítulos e quero muito saber o final dessa jornada, apenas estou deixando minha opinião sobre o que foi criado até então por Kentaro Miura. Espero que tenha gostado dessa pequena análise e reflexão.

O Dia de Ler Tolkien

Dia 25 de Março é o dia de Ler Tolkien.

Você já leu Tolkien? Eu mesmo confesso que, mesmo sendo fã dos filmes da trilogia o senhor dos anéis desde a adolescência, custei a começar a ler Tolkien.

Li o Hobbit apenas antes de ver os filmes, e como é uma história infantil, não dei tanta bola sobre parecer ser algo brilhante ou não. Assim, achava um pouco superestimada a histeria de alguns fãs sobre a fidelidade da obra, principalmente da primeira trilogia, apesar de concordar sobre a trilogia forçada do Hobbit.

Em uma assinatura de caixas surpresa do Nerd Ao Cubo, fui surpreendido com a bibliografia do homem, e acabei lendo e me agoniando ao pensar que ele levou a vida inteira para fazer o Silmarillion e 17 anos para o Senhor dos Anéis.

Quem sabe alguma coisa de especial deveria ter mesmo nesse amontoado de palavras, pensei.

Sendo assim, já um pouco fatigado de focar só em autores nacionais, e dado o anúncio da nova série da Amazon, me desafiei a ler o Silmarillion antes, e dito e feito.

Foi só aí que entendi todo o conjunto da obra. E é realmente profundo. Uma literatura que foge do básico bem feito, é aperfeiçoada, literalmente mágica. Tem essência e alma nas histórias. E não vou me atrever a sugerir qualquer alegoria a obra.

Agora meu próximo desafio é ler o Senhor dos Anéis e tirar a prova real se a histeria desses fãs é válida. Posso dizer de antemão, que temo os rumos da série da Amazon, mas não devo deixar de assistir mesmo assim.

logo do filme não olhe para cima

Porque assistir Não Olhe Para Cima?

Ontem assisti ao filme Não Olhe Para Cima, e tive uma surpresa positiva com o espetáculo. A tempos não assistia a um filme que conseguia ser divertido e ao mesmo tempo trazer tantos assuntos polêmicos e que merecem uma reflexão ao mesmo tempo.

Vou evitar grandes spoilers do filme, mas alguma coisa será comentada devido ser difícil uma separação completa dos assuntos tratados: A Ciência, A Política, A Mídia, O Poder.

Base do filme: Um cometa esta vindo para a destruir a terra.

Da Ciência temos o lado dos cientistas, que mesmo com as mais nobres intenções, pecam na ingenuidade. Querem ajudar as pessoas ou fazer alguma coisa em relação ao cometa que se aproxima do planeta, mas logo no primeiro passo, contar ao governo, são desacreditados por terem títulos de menor prestígio do que os de outras universidades mais bem queridas pelo governo. Sendo apenas considerados quando outros nomes grandes começam a afirmar o resultado correto deles.

Da Política, o governo está muito mais preocupado com a indicação de um ministro e a próxima eleição do Senado e não da a mínima para o cometa. A Presidente só volta atrás quando o assunto do cometa pode garimpar votos para ela, visto que perdia popularidade por conta de se envolver em escândalos com o novo ministro.

A Mídia, preocupada com o Ibope, foca em assuntos muito mais agradáveis aos ouvidos do público, como fofocas de celebridades e novas músicas, além é claro, de atacar a Presidente atual no poder.

Tudo já havia virado um jogo por Poder, mas a coisa piora quando a real ameaça do cometa é omitida para as pessoas. A aliança simbiótica de governos com milionários surge para usar a força para ficarem ainda mais ricos, usando a justificativa clássica de ajudar os pobres e criar empregos, diminuem o tamanho da ameaça do cometa para o público usando a Mídia, já que encontram metais valiosos na composição do cometa. E acabam valorizando as pás de mineração mais do que o #Bitcoin.

Outro lado interessante, é quando os cientistas, insatisfeitos com tudo, usam da internet para divulgar suas ideias e tentam levantar financiamento para eles mesmos resolverem o problema. Provando mais uma vez como a internet é uma ferramenta libertadora de amarras.

A aliança corporativista prevalece no topo, usando uma metodologia fraca, e contra a ciência, já que a todo custo evitam formulas como a Revisão por Pares e boicotam todos que os contra-dizem, além de comprarem a mídia, justificando a descrença da população no cometa.

Você consegue entender os dois lados, quem acredita no cometa e em quem não acredita. Uma analogia perfeita ao que vivemos hoje. A Ciência a favor de mim e a Ciência contra mim, qual é mais interessante para manter meu discurso em frente as câmeras? E já que eu escolho o que aparece nas câmeras, porque vou divulgar o outro lado?

Não quero estragar o filme caso você ainda não tenha visto, e nem dar uma palavra sobre o que é o certo, então aqui encerra meus questionamentos. Recomendo que assista Não Olhe Para Cima e preste atenção nos detalhes da trama para tirar suas próprias conclusões.

vela na mão

O Natal

Nessa linda noite de véspera de Natal, nós preparamos um texto com extremo amor e cuidado, para que hoje cada pedacinho de tudo aqui, fique gravado em nossos corações.

É chegado o Natal, o berço do menino Jesus, e a lembrança anual de Cristo. Nessa etapa do ano, no mínimo, devemos ser gratos por inúmeras coisas: pela família, pela saúde, pelas conquistas do ano, e jamais nos esquecer do maior dos presentes de Deus ao homem, a única coisa que realmente nos pertence: o livre arbítrio.

Com ele, somos capazes de tomar decisões sobre nossas próprias vidas. Escolher entre o bem e o mal. Entre o bem do mal, ou o mal do bem. Podemos escolher entre o Perdão e a Magoa; entre o Amor e o Ódio; entre Pedir Perdão e o Orgulho; A Sabedoria ou a Ignorância; A Fé ou o Ceticismo;

A vida é cercada por escolhas, do momento que acordamos até a hora de dormimos, nisso não há duvidas, então porque duvidaria de haver boas e más escolhas? Em Coríntios 10:23 é dito “Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica”. Edificar nosso templo interior, é para isso que batalhamos o ano inteiro, e só assim, podemos, através da lei universal da ação e consequência, alçar vôos e conquistas maiores. Quando o esforço de nossas próprias decisões merecerem a conquista, como dito em Eclesiastes 9:10, “Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens”, sabemos que uma nova coluna de virtudes esta erguida no nosso templo interno.

Celebramos então, a escolha de Jesus, o Cristo, em amar a humanidade. A sua doação e o amor incondicional sem olhar a quem, nascido para libertar e salvar os homens, possibilitando o perdão e fortalecendo o livre arbítrio.

Agora toda a possibilidade de felicidade está em nossas mãos.

Neste Natal, que o grande potencial da humanidade se revele em cada um de nós para vivenciar o verdadeiro espírito do Natal e que este nos guie durante o ano novo que está para começar. Que o Poder do Cristo nos guie, nos proteja e nos ilumine. Feliz Natal.

kindle-power-heart

Virei notícia na minha cidade

A gente sabe que em cidade pequena todo mundo se conhece. Não foi diferente comigo, virei notícia no Ijuínews e também na minha universidade.

Segue a cola da matéria do Ijuí News. Você também pode conferir direto no site.

Rodolfo Berlezi, escritor e autor estreante, acaba de lançar seu primeiro livro de fantasia: “Power Heart, o recomeço da alma”.

news-rodolfo-powerheart
Eu no cantinho, junto a minha criação e alguns dos meus livros favoritos na estante.

Power Heart conta a saga de Krian Heart, em um mundo de fantasia onde as criaturas místicas não têm o mesmo direito de viver dos humanos em seu território acabando por serem caçadas. Enquanto isso, Krian se torna um mercenário e, ao lado de Olexa, combate os algozes do governo para reaver a liberdade desses seres.

O autor comenta que desenvolveu as primeiras ideias do livro nos anos finais do ensino médio e as refinou ao longo da faculdade cursada na integra na UNIJUÍ em uma área bastante distante da literatura, Ciência da Computação.

Rodolfo Berlezi conta que sempre foi apaixonado por livros, animações e quadrinhos japoneses, conhecidos pelos nomes anime e manga respectivamente, e que sentia falta da mesma sensação de ação que os quadrinhos passavam nas histórias de literatura. Decidiu, então, inovar criando uma história que contasse com diversas cenas de luta e ação, ao mesmo tempo que se desafiou a narrar as lutas de forma fluída e detalhada.

O sonho de publicar o livro foi possível através de uma campanha de financiamento coletivo pela plataforma online do Catarse, sendo publicado pelo Grupo Editorial Coerência, um dos grupos editoriais que mais cresce no Brasil, através do selo Plus para novos autores.

Com esse feito, logo de início, já tem exemplares de seu livro espalhados por diversos estados do Brasil. O livro mais viajado de todos foi de Ijuí a Roraíma.

Os exemplares podem ser adquiridos direto com o autor, ou no site da editora. Também está disponível no formato digital na Amazon.

Aproveite e acompanhe e siga o autor no instagram @rodolfo.berlezi

resenha-sileitora

Resenha Power Heart – Por @sileitora

Essa semana Power Heart recebeu sua segunda resenha, feita pela parceria no Instagram com a leitora voraz @sileitora. Fico muito contente ao ver minha obra ganhando espaço aos poucos. Um tijolinho por dia e vamos ver o que construiremos.

Sem mais enrolação, segue a resenha:

Krian era um jovem que nunca tinha ficado com nenhuma garota e estava prestes a se formar no Ensino Médio, começando assim a sentir a pressão de decidir o seu futuro.

🎮Percebia que tudo que viveu não fazia ele se sentir realizado, precisava de algo mais, só não sabia o que era. Certo dia se envolve em uma aventura que ele achava ser possível apenas nos jogos e a partir daí decidiu que queria mais daquela novidade.

🎮Até então sua vida se resumia em ir para a escola e jogar RPG com os amigos, mas agora faria novas amizades e passariam a fazer parte de seu dia a dia: fadas, pessoas com poderes e mercenários.

🎮Será que ele conseguirá se acostumar a essa nova vida e viver as experiências que tanto queria? Leia o livro para descobrir! E se você gosta de jogos de RPG acho que vai se identificar ainda mais com a escrita do autor.

👉🏻Você encontra Power Heart no site da Amazon e quem tem Kindle Unlimited consegue ler de graça! O livro físico já está circulando também através da Editora Coerência. Aproveite e já siga @rodolfoberlezi e apoie mais um autor nacional.

indicacao power heart

Resenha Power Heart – Por @julgandoacapa

Semana passada fiquei muito feliz ao receber a primeira resenha do meu livro. Dois parceiros muito queridos e que não medem esforços para divulgar obras nacionais. Um ato de total amor a literatura nacional. Fica aqui registrado meu eterno agradecimento ao Alvaro e a Erika.

Aproveita e segue eles lá para descobrir um universo de histórias nacionais! Julgando A Capa (@julgandoacapa)

Já seguiu? Agora vamos a resenha:

Power Heart conta a história de Krian Heart, um nerd virgem fanático por vídeo games, assim como seus amigos Dego e Wiam. Adolescente, mora com a mãe e sua “meta de vida” é beijar uma garota, mas não teve sucesso.

No fim de seu último ano da escola, sai para passar uma tarde com seus amigos e descobrem juntos que, um pouco do que existe em seus games, existe também na vida real. Fadas, poderes, mercenários e outras coisas explodem sua cabeça e ele percebe que precisa ganhar o mundo.

Embarca para a Fronteira Cemitério com Olexa, a mercenária que cruzou seu caminho, para aprender o que existe fora de casa. Aprende a como usar sua alma, treina e, após sua formatura na escola, decide que quer seguir com a moça e seus parceiros, Zacky e Havel.

Embarcam numa missão que vai colocar a prova todo treinamento de Krian. Será que vai dar tudo certo? Será que Krian vai seguir com esse desejo?!

Ah, querem saber?! Então, passem na Amazon e baixem Power Heart!

Disponível também para assinantes do Kindle Unlimited!

coração entre remédios

Fármaco

Escrevi uma poesia para participar do concurso literário da farmácia Pague Menos com o tema Viva plenamente. Esse foi o primeiro concurso com premiação em dinheiro que participei, e embora não tenha ganho (vai entender os jurados), acho muito bacana esse tipo de incentivo vindo de uma empresa privada a cultura.

Fora as 5 primeiras poesias que ganhavam o prêmio em dinheiro, mais 95 foram selecionadas, e nenhuma delas foi a minha. Talvez porque escrevi sobre como deveríamos nos livrar de medicamentos para uma vida realmente plena e saudável, e o concurso é de uma farmácia, hipocrisia, será?

Enfim, você pode conferir e ler o resultado do concurso aqui, e logo abaixo, ler minha poesia.

Vale dizer que escrevi em um momento da vida que estava tomando mais remédios do que o habitual e me questionando o quanto isso era “normal”. Antes mesmo da pandemia do Corona Vírus, comecei a sofrer de ansiedade no trabalho e como consequência gastrite nervosa. Tomava um anti-depressivo (o qual fui bastante resistente para aceitar), testei 2 prazois diferentes (aparentemente nenhum fez um efeito muito eficaz, o problema era emocional), e chegava a tomar duas doses de anti-ácidos diariamente. Isso me deixava muito angustiado, eu não queria tomar remédios para toda a vida.

Importante destacar que tudo foi feito sob supervisão médica! Não tome remédios desse tipo por conta própria.

Agora segue a poesia trazendo a reflexão interna daqueles dias.

Fármaco

Poema por Rodolfo Berlezi

Aí está você
Na prateleira
Empoeirado
Fico feliz, que houve o tempo de larga-lo

Quando olhava para você
E lembrava de tomar
Alegria doentia

Se esquecia me arrependia
Dá saúde não cuidar
Dor em demasia

Quando da vida um temporal
O fármaco não me fazia mau

Hoje
Desfrutar do natural,
É fenomenal
Ao menos não me sinto boçal

Se andar pela vida
Fora da carruagem diligente
Com os pés nus no barro
Fosse considerado inteligente

Os sorrisos bem contentes
Do pai e do filho
Tornariam a voltar

O fármaco recém-comprado
Perderia o seu lugar
Um coração bem saudável
Viria a manifestar

Um esporte praticável
Na respiração vive Buda
Estresse voa ao ar

Ansiedade é de se cuidar
Determinação para continuar
Ou só
Escolha mais tempo para amar

homem da mafia

Caçada

Eu nunca imaginei que algum dia seria caçado.

A chuva descia severa pela cidade naquele final de tarde. Só que por mais molhado que estivesse, o trabalho não poderia parar. O Caçador tirou as duas pistolas semiautomáticas do capote, ajeitou o chapéu na cabeça e adentrou no prédio pela saída de emergência.

Nem que algum dia haveria um prêmio pela minha cabeça.

O tiroteio não demorou a começar. Seguranças com ternos pretos e camisas brancas estavam posicionados em diversos pontos estratégicos e disparavam contra ele, contudo a experiência o deixará silencioso e preciso. Apenas um tiro, uma morte.

Sabe, eu sou do tipo que gosta de ação e adrenalina.

Um homem com uma metralhadora começou a atirar freneticamente, estourando todas as janelas e os miolos de alguns coitados que ficaram no caminho. O Caçador se jogou atrás de uma mesa e recarregou suas armas.

Eu, desta vez sendo o alvo, e ainda assim matando mais do que deveria.

O sujeito com a metralhadora estava confiante, e chegou perto demais. Suficiente para que um barulho atravessado o fizesse olhar para o outro lado e nem ficar sabendo de onde veio o tiro que o atingiu por trás da cabeça.

Negócios são negócios, mas as vezes é bom estar tranquilo e sossegado.

Com um chute arrombou a porta para a próxima ala do escritório, se jogando ao chão com um rolamento rápido e para evitar possíveis disparos.

Se já pensei em parar?

Deu uma espiadinha. Área limpa. Se levantou e foi ligeiro até o outro lado.

Muitas vezes.

O Caçador viu na mesa a sua frente um porta retrato de uma família feliz. Um homem, uma mulher, um filho pequeno e um cachorro.

Principalmente aqueles dias que passei com Jaine.

Pensar em Jaine lhe trouxe um sorriso no canto da boca, que se apagou num instante. Talvez tivesse acabado de destruir aquela família. Assim como já fez com várias outras.

Esses pensamentos deprimentes de novo. Preciso de um cigarro.

O homem largou as armas na mesa, sacou um maço de cigarros do bolso e um isqueiro. Enquanto terminava de acender, uma mulher abriu a próxima porta, avançando contra ele com uma espada. Ele foi obrigado a se jogar de costas na mesa, caindo no outro lado, derrubando os itens na mesa consigo e deixando o maço cair no chão, incluindo suas armas e o cigarro recém acesso.

Cara, eu também preciso parar de fumar. Que merda estou fazendo com minha vida.

Recuperou rapidamente as armas. Rolou para frente, desviando de outro golpe da espadachim e já disparou contra ela, acertando na coxa.

Entrar na máfia parecia uma sabia decisão no início.

A mulher caiu no chão, não conseguindo mais ficar em pé e olhando nos olhos do homem que a acabará de atingir.

— Eu acertei sua artéria femoral. Vai sangrar até a morte ou quer que eu acabe logo com isso? — O Caçador mirava na testa da mulher caída.

Uma poça de sangue se formava ao redor do ferimento e o cheiro de ferro no sangue contaminava o ambiente junto ao cheiro de pólvora, ambos providos de diversas fontes.

— Por que você faz isso?

— Às vezes nem eu sei explicar moça. Simplesmente a vida me moldou assim.

Antes de dar o último tiro, o Caçador viu o retrato no chão novamente, percebendo que era a mesma mulher na foto. Ele deu meia volta.

— Reze para que os médicos cheguem a tempo.

Movida pela força da fúria, a mulher ignorou o sangue jorrando e a dor da perna ferida para avançar com a espada pelas costas do Caçador.

O homem, no mais simples reflexo, como se estivesse acostumado a fazer isso a anos, se virou e deu um tiro certeiro na testa da vítima. Ao ver o corpo caído da mulher, ainda com olhos arregalados, o Caçador se abaixou, posicionou o corpo de uma forma mais confortável, com a gentileza de como se aquilo importasse para o cadáver e por fim fechou seus olhos. Abaixou um pouco o chapéu, três segundos de silêncio bastavam, pois era tudo que podia oferecer naquele momento.

Parece que só vou conseguir fumar em paz quando isso tudo acabar.

O homem juntou do chão o maço caído e pós no bolso do capote. Arrumando o chapéu e os punhos da camisa também ele continuou a avançar para a porta aberta que o aguardava.

Um carpete vermelho decorava todo o chão da sala, junto a uma mesa de madeira rústica e bem detalhada. Atrás dela, uma enorme poltrona de couro marrom estava virada.

— Eu sabia que viria me visitar afilhado. 

— Padrinho, eu temo que não podemos mais chegar a um acordo de paz.

A grande poltrona se virou lentamente na direção, apresentando um homem grande e de visual impecável. Camisa social branca, gravata vermelha e paletó de risca de giz sob medida somado ao acessório do chapéu de mesmo tecido. O Padrinho lixava as unhas com a maior tranquilidade do mundo, enquanto o Caçador levantou a mira.

— Conheceu a Luzia?

— Infelizmente sim.

— Era uma excelente funcionária. Bastante leal… assim como você já foi — o Padrinho desferiu um olhar que cruzou o peito do Caçador — Tem um cigarro aí? Eu gostaria de fumar uma última vez.

— Tome — o Caçador atirou com a esquerda o maço de seu bolso junto ao isqueiro, sem desviar a mira na cabeça de seu alvo com a pistola da mão direita. 

O homem em trajes sociais acendeu um cigarro e deu uma longa tragada.

— Sabia que nunca fumei nesse escritório? — Exalava a fumaça para o lado — Tinha o hábito de sempre ir na sacada fumar.

— E o que isso importa agora?

— Exato. Agora não importa mais nada. Deixe as cinzas caírem no chão. Contudo, a máfia que eu conheci sempre prezou por excelência. Aparência impecável. Aliás, belo capote, onde adquiriu?

O Caçador ameaçou apertar o gatilho da arma para desviar da pergunta. Detestava ficar divagando, mas tinha que respeitar a lei da máfia e ouvir até o final seu Padrinho.

— Pode me contar afilhado. Em qual foi o momento que falhamos contigo? Pois eu, seu padrinho, lhe garanti tudo que sempre precisou. Família, proteção, amor.

A cadeira alavancou para cima, enquanto o homem se reposicionava nela para pôr os cotovelos na mesa.

— Agora é tarde demais para falar sobre motivos.

— Ora ora. Nunca se é tarde demais. O rancor será sempre seu pior inimigo. Você tinha uma mansão no interior de Udine. Carro, mulheres, grana. O que mais um homem pode querer?

— Padrinho, com todo o respeito, você fala como se não soubesse o que você prega! Jogos, álcool, drogas e sumiços não constroem o caráter de um homem.

O Caçador tremeu sua mão apreensivo, voltou a firma-la quando pensou em Jaine. O Padrinho deu gargalhadas irônicas.

— Caráter afilhado? Caráter? — O homem socou a mesa com força, exaltando sua voz e apontando o dedo para o Caçador — Um homem que fez parte de minha família, que viveu sobre minha tutela, que ganhou o meu sobrenome, vem até o meu escritório e me acusa de falta de caráter? Vamos, me diga! O que eu pedi em troca?

Os dois se encararam em silêncio por um tempo.

— Fale agora Lucca!

O Padrinho se colocou em pé e novamente, no reflexo, como se estivesse acostumado a matar aqueles que lhe ameaçavam a vida, Lucca, o Caçador, atirou em seu Padrinho.

— Paz Padrinho! Vocês não podem e nunca vão me garantir paz enquanto viverem! — As lágrimas acumuladas por anos tiveram que descer no momento.

Atingido no lado esquerdo do peito, foi jogado de volta a cadeira e a dificuldade de respirar também lhe comprometia aos poucos a fala.

— Paz. Lucca… A vida que você escolheu nunca lhe trará paz. 

— Pare de falar antes que eu tenha que finalizar você. Nunca quis que chegasse a este ponto — o Caçador voltava a seu semblante sombrio e frio, evitando olhar seu Padrinho sofrer.

— Sempre deve haver um padrinho para a família dos Pasta. Lucca, você será esse padrinho! É seu destino.

— Sinto muito lhe desapontar Padrinho. A vida que eu quero para mim, não terá mais nenhuma conexão com a máfia.

Lucca de Pasta apertou uma vez mais o gatilho, atravessando a bala no coração de seu Padrinho, e a lágrima na fronteira de seus cílios.

— Eu também sinto, pois te amei como um filho.

Convocando suas últimas forças, o Padrinho apertou um botão a baixo da mesa, disparando o alarme antes de morrer.

O Caçador limpou as lágrimas no lenço de bolso e voltava a sua maratona de caça conforme guardas saíam das portas e trocavam tiros consigo.

Padrinho. A máfia me trouxe coisas que eu nunca imaginei ter quando criança. Só que ela tira e devolve na mesma moeda.

Agachado ao lado de uma mesa e de frente para uma janela estourada a tiros, o Caçador vislumbrou sua fuga.

Seus aliados e capangas podem continuar me caçando a vida inteira. Só que eles sempre se esquecem.

Lucca se atirou pela janela, se pendurando no corrimão da escada de emergência.

Tem dia da caça.

Um mafioso colocou sua cabeça para fora da janela procurando por ele. No reflexo, Lucca atirou e o matou, deixando o corpo exposto na janela.

E tem dia do Caçador.

Restam só mais dois assuntos do passado para resolver. Será que Jaine pode esperar?

thorfinn viland saga

Como preencher o vazio existencial – Uma análise de Vinland Saga

No final de 2019, comecei a acompanhar a história de Thorfinn em Vinland Saga, simultaneamente a um período que passava por muitos questionamentos na minha própria vida. Sobre como preencher o vazio existencial que começava a se formar.

Em Vinland Saga, o foco na história por um bom tempo não é exatamente no protagonista, mas no homem que é seu objetivo, Askeladd. O homem que é responsável pela morte de seu pai. Assistimos então, Thorfinn, tentando ao longo de anos efetuar sua vingança sem sucesso. E, o pior, vivendo toda sua vida exclusivamente para cumprir esse objetivo.

Quando você perde os seus focos e objetivos, não dá aquele vazio no peito?

Entendemos e temos empatia pelo sofrimento do garoto. Acompanhamos sua transformação até o nível que sua racionalidade era comparável a de um animal possível de ordenar e domesticar. Logo, começamos a sentir tristeza por ele, pois cego pelo seu desejo de vingança, ele não consegue olhar para dentro de si. Sendo nem capaz de viver uma vida para ele mesmo, apenas para os outros.

Ao final da primeira temporada de Vinland Saga, sem spoilers diretamente, Thorfinn se encontra num beco sem saída, notando o quanto do tempo de sua vida perdeu em um objetivo que não lhe levou a lugar algum. Um objetivo que não lhe preencheu ou satisfez sua vida. Percebendo o quanto se tornou um homem vazio.

Indo para drogas mais fortes, continuei Vinland Saga lendo o mangá, e ali então vi um homem vazio se reencontrando e se preenchendo novamente. O que me trouxe novas reflexões para o momento que vivia minha vida.

vazio existencial viland saga manga cena
Thorfinn mais velho se reencontrando consigo mesmo através do trabalho

Quando crescemos…

Acredito que existem dois momentos na vida que alguém olha para dentro de si mesmo e pode se assustar com o que vê. Ou não vê. Como vi acontecendo com o Thorfinn, e comigo mesmo: o surgimento de um certo buraco para preencher o vazio existencial.

Quando você saí da casa dos pais, ou precisa assumir responsabilidades adultas que nunca precisou antes. Pode até mesmo pensar que você é alguém de potencial infinito, com muitos sonhos e todos aqueles que lhe suportam afirmando o como você pode ir longe. Entretanto, quando para e analisa ao seu redor, conforme as coisas tendem a não ser tão fáceis, você percebe que de fato ainda não construiu nada.

Você não é ninguém tão importante assim, apenas tinha o sentimento embutido em um ego de que era alguém importante, pois dentro de seu ciclo de relações humanas todos faziam você se entender como alguém importante. E de fato, você realmente deve ser importante para essas pessoas, mas não é ninguém para o mundo como um todo em si.

A segunda e outra situação, deve ser quando você passou tempo demais obstinado em realizar um objetivo. Um sonho. E quando se depara com um beco sem saída, um caminho sem volta, do tempo e esforço que dedicou, e não obteve nenhum resultado concreto disso, acaba por se frustrar com tudo que realizou.

Conclusão

Isso me traz a uma conclusão: Somos todos vazios até sermos preenchidos. Mas enquanto não sabemos que somos vazios, que nunca fizemos nada que nos transformasse aos olhos do mundo, temos uma falsa sensação de preenchimento por aqueles que nos amam, e apenas o desamparo é capaz de trazer essa conscientização.

Trabalhe. Suas mãos não estão se movendo.

Mestre Ketil

A partir daí, são possíveis dois novos caminhos, sucumbir ao vazio, deixando a ansiedade e depressão se instalar em você. Ou, resignificar seu caminho, e buscar se preencher através do trabalho necessário para concretizar seus sonhos e objetivos.

Isso é o que penso sobre a tal crise dos 20. Quando muitos tem que encarar um mundo que não foram realmente preparados para enfrentar, pois aqueles ao seu redor lhe protegiam até então com as melhores intenções.

Eu encontrei o vazio e o preenchi.

Page 1 of 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén